A reunião da SBAV-RS de 10 de julho de 2026 foi organizada pelo confrade Leandro Rovani, e teve como tema “A diversidade das castas italianas”. Na ocasião foi distribuído o seguinte texto:

Os antigos gregos costumavam chamar a Itália de Enotria, ou seja, a terra do vinho; não é à toa: segundo “A Bíblia do Vinho” de Karen MacNeil (Rio de Janeiro : Ediouro, 2003, p. 272), em 2001 havia 900 mil vinhedos registrados no território italiano. Mais do que isso, a Itália é notoriamente conhecida como o berço da maior diversidade de castas vitis vinifera do planeta e, segundo o Professor Marcelo Vargas, “atualmente existem cerca de 350 variedades de uvas viníferas italianas. Há rumores que sejam mais 2.000 diferentes castas sendo plantadas no país”, tudo resguardando um possível “exagero italiano” na conta (https://www.sensorybusiness.com/post/italia-mapa-vinho).

O fato é que, 350 ou milhares, isso tudo me parece um universo pouco explorado, principalmente no Brasil como um todo e também na SBAV-RS das Quintas, que se reúne às Sextas.

Além das diferentes castas, há métodos produtivos pouco popularizados, como é o caso do apassimento. Então, pessoal, estamos nos devendo, mas hoje uma pequena parcela dessa dívida de experiências será quitada: nada de Nebbiolo, Sangiovese ou Glera. Vamos diversificar! Há uvas populares na Itália que sequer costumamos consumir (Trebbiano, Vermentino, Arneis…), o que não se justifica.

Feito o breve intróito, consigno que hoje os vinhos serão tão surpreendentes para vocês quanto para mim, que também pouco conheço das castas e métodos apresentados.

Degustaremos, dois espumantes italianos da Emilia-Romagna, depois partiremos para brancos tranquilos da Sicília, Venezia Giulia e Piemonte; tintos teremos do Piemonte, Vêneto e Puglia, finalizando com um rico vinho de sobremesa siciliano, gentilmente subsidiado pelo Vianna, nosso chef da noite, advindo de sua adega privada para finalizar a harmonização com uma Paella de coelho, frango e linguiça aromática, de forma a acompanhar brancos e tintos.

Espumante Borghesia Brut – Emilia-Romagna, Itália – ABV 11%.

  • Corte de Garganega e Trebbiano, produzido pelo método charmat.
  • No visual conta com a coloração amarelo pálido, com aromas de frutas frescas, cítricas e leve floral. No paladar traz uma acidez super refrescante.

Espumante Cavalieri Reali Brut – Emilia-Romagna, Itália – ABV 11%.

  • 100% Trebbiano, produzido pelo método charmat.
  • Elaborado na mesma região dos Lambruscos italianos, na Emília Romagna. Espumante de cor amarelo claro, de borbulhas delicadas. No aroma exala frutas frescas e cítricas. O paladar é seco, elegante e de acidez harmônica. Por possuir boa estrutura, acompanha petiscos e pratos delicados.
  • https://www.divvino.com.br/

Tenuta Gorghi Tondi – Coste a Preola – Grillo Sicilia DOC – 2024 – Itália – ABV 12%.

  • Há quatro gerações a família produz em Mazara del Valo, na costa sudoeste da Sicília, tendo início da produção nos anos 1900, graças às condições perfeitas para cultivar as melhores uvas para o vinho Marsala. Vinificação orgânica certificada.
  • As uvas são colhidas manualmente, em vinhedos de mais de 20 anos, localizados a 25 metros sobre o nível do mar. A fermentação acontece em cubas de aço inox com temperatura controlada e o vinho pronto permanece mais 5 meses em contato com as borras finas antes de ser engarrafado.
  • 100% Grillo, uva que é o resultado da fusão entre Cataratto e Zibibbo.
  • Distingue-se pela sua plenitude no paladar. É um vinho rico e aromático, que encontra a sua máxima expressão na perfeita combinação de uma acidez vibrante e uma mineralidade surpreendente, culminando num final longo e harmonioso.
  • Sem passagem por madeira. 55 mil garrafas produzidas.

Azienda Agricola Russolo Rino – San Quirino Zui Ribolla Gialla 2023 – IGT Venezia Giulia – Itália – ABV 12,5%.

  • A Família Russolo se interessa de enologia e cultivo de videira há 100 anos. Em 1974 a produção deixou de ser familiar e em 1990 quando Antonela e Rino Russolo, membros da quarta geração, se dedicaram a comprar e plantar vinhedos nas “GRAVE” do Friuli, entre as Dolomites e o mar Adriático, onde o microclima e o solo são únicos, alojados em camadas de sedimentos aluvionais, ricos em calcário, alimentados pelos pequenos rios cristalinos da região.
  • 100% Ribolla Gialla.
  • Colheita manual na segunda semana de setembro, fermentação entre 7-10 dias em tanques de inox a temperatura controlada. Contato com os fermentos até o engarrafamento em abril do ano seguinte.
  • Maturação de 7 a 8 meses em tanques de inox.
  • Vinho amarelo palha delicado com leve toque esverdeado, no nariz floreal e sabor fresco, seco e persistente.
  • Sem passagem por madeira. 10 mil garrafas produzidas. Tibaldi Società Semplice Agricola – Roero Arneis DOCG 2023 – Piemonte – Itália – ABV 12,5%.
  • Vinícola de duas irmãs que nasceram no local, produtoras de vinhos modernos, íntegros, com mínima intervenção, deixando a natureza e a pureza das uvas se expressarem dentro da taça.
  • A colheita é feita manualmente e as uvas separadas em caixas de 20 kg, colhidas em três vinhedos localizados em Pocapaglia e Santa Vittoria d’Alba. São fermentadas separadamente em tanques de inox a uma temperatura controlada 14-15 graus, para ressaltar e preservar os aromas varietais típicos da uva Arneis, em seguida os vinhos são mesclados e descansam em sur lie por alguns meses antes de serem engarrafados.
  • 100% Arneis, de cultivo manual e biológico.
  • Sem passagem por madeira. 15 mil garrafas produzidas.

Loggia Dei Colli Refosco Dal Peduncolo Rosso IGT 2022 – Trevenezie – Itália. ABV 12%.

  • O nome desta linha significa “Loggia das Colinas”. A “loggia” é um tipo de galeria rústica que é aberta de um lado. As pessoas tradicionalmente se reuniam lá para comer e comemorar o fim da colheita. O vinho encarnava as características da terra e o trabalho dos moradores locais. Seu sabor saudável e cheio, porém delicado, transmitia lembranças de um passado distante.
  • Maceração dura 15-20 dias a uma temperatura controlada de 26°-28°C.
  • Cor vermelho rubi com tons roxos. Aroma muito frutado, com notas de cereja madura, framboesa, mirtilo e amora. Em boca possui boa estrutura e acidez. Taninos sauves.
  • Breve envelhecimento em barris de carvalho francês.

Società Agricola Tenuta Santa Caterina S.R.I. – Arlandino Grignolino D’Asti DOC 2023 – Monferrato – Piemonte – Itália – ABV 14,5%

  • Localizada no coração de Monferrato, a propriedade foi registrada em 1737 e durante séculos a produção de vinho foi somente para uso familiar, junto com outras culturas.
  • 20 hectares de vinhedo, com a prática da cultura orgânica e simbiótica rigorosamente respeitadas, tratando os vinhedos com fertilização natural e interagindo com outras plantas para o trabalho da areação do solo. Não são permitidos o uso de substâncias herbicidas e não naturais. As variedades plantadas são predominantemente as autóctones da região, tais como Grignolino, Freisa, Nebbiolo e Barbera.
  • ‘Arlandino’ era o antigo nome da Uva Grignolino cultivada nessa Região desde 1300. O vinhedo é a 350 metros de altitude e se compõe de solo calcáreo esbranquiçado, perfeito para essa variedade. Vinificação das uvas maduras em cubas de aço inox com amadurecimento nas mesmas por 9 meses. Breve afinamento em garrafa.
  • Sem passagem por madeira.

Camasella Rosso Appassimento 2023 – Puglia – Itália – ABV 15%.

  • Antes da vindima, os ramos onde estão penduradas as uvas são cortados com 2 semanas de antecedência. Não se nutrem mais e secam ao sol, essa técnica de secagem da uva é chamada de Appassimento. A colheita é feita inteiramente à mão e depois suavemente prensada, sendo que apenas os melhores cachos seguem para o próximo passo.
  • Corte de Primitivo e Negroamaro.
  • Coloração vermelha rubi intensa. No nariz, oferece aromas expressivos de frutas vermelhas e negras maduras, como cerejas, ameixas e amoras. Essas notas frutadas são acompanhadas por toques de figos secos, passas e um leve toque de tabaco. Também pode haver nuances de especiarias doces, como canela e cravo, e, dependendo do envelhecimento, um toque de baunilha ou chocolate. Na boca, o vinho é encorpado e bem equilibrado, com uma textura aveludada. As notas de frutas maduras se confirmam, com uma doçura natural equilibrada por uma acidez moderada. Os taninos são suaves e arredondados, contribuindo para uma sensação agradável e prolongada na boca. Também se destacam notas de caramelo, café e um leve toque amadeirado. O final é longo e persistente, com um retrogosto que enfatiza as frutas secas e as especiarias, deixando uma sensação calorosa e reconfortante.
  • Envelhece 5/6 meses em barris de carvalho.

Cantine Pellegrino Passito di Pantelleria 1999 – Sicilia DOC – Itália – ABV 15%.

  • Pantelleria é uma pequena ilha italiana ao largo da costa norte da África, onde a uva Zibibbo, também conhecida como Moscatel de Alexandria, cresce em solo vulcânico escuro.
  • A Cantine Pellegrino (ou Carlo Pellegrino & C.) é uma empresa familiar localizada na cidade de Marsala. O tabelião Paolo Pellegrino, já um apaixonado viticultor, fundou a vinícola em 1880. A empresa está na vanguarda da indústria vinícola siciliana há sete gerações.
  • Vinho doce tipicamente dourado/âmbar, com aromas ricos de açúcar de cevada e mel, damasco seco e figo, além de uma profundidade de uva-passa proveniente dessas uvas ‘passito’. A elegância de baunilha e chocolate branco no paladar é sustentada por uma crescente riqueza picante e profundamente frutada, uma sensação tostada (embora não passe por barrica) completa um quadro suntuoso, porém fresco.

Fonte de Aquisição

Os vinhos foram adquiridos na Vinhos do Mundo e nos sítios https://www.divvino.com.br/ e https://www.cecconellovino.com.br/