Nesta última segunda-feira (reportado em 27.5.2009), finalizando o nosso “giro” pela França, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os vinhos da Provence verificando, inclusive, que além da variedade de diferentes cepas existem também interessantes outros vinhos que não somente os famosos “rosés”!
Acompanhando, deliciosa “fougasse” e caponatas de berinjela e cogumelos, no estilo da Provence, preparadas pela Nilva! (muito obrigado!!! J)
Com a apresentação teórica feita por mim e a aquisição dos vinhos pelo Tadeu, degustamos os seguintes exemplares cuja classificação ficou conforme abaixo:
– Château de Pibarnon – Appellation Bandol Contrôlée – 2005 – 13% (50% Calirette, 30% Bourbolenc, 20% misto de Marsanne e Ugni Blanc) – branco bastante elogiado por todos.
– Château Romassan – Domaine Ott – Appellation Bandol Contrôlée – Millesime 2007 – 14% – Eleito melhor vinho rosé do mundo em 2008. – Também obteve destaque nos comentários.
– Heritage Château Vannières – 13% – 2º LUGAR;
– Château Vannières – Appellation Bandol Contrôlée – 2003 – 13,5% – 3º LUGAR;
– Château de Pibarnon – Appellation Bandol Contrôlée – 2001 – 14,5% (90% Mourvèdre e 10% Grenache) – 1º LUGAR
A seguir, a apresentação realizada.
VINHOS FRANCESES – PROVENCE
Localização e AOCs
Localiza-se no sudeste da França e fica circunscrita em um polígono formado pela ligação das cidades de Marseille, Toulon, Saint-Tropez e Nice, no litoral mediterrâneo, e Draguignan, Avignon e Nimes, no interior do país. Mais ou menos no centro do polígono, está à cidade de Aix-en-Provence.
Situadas essencialmente em Bouches-du-Rhône e em Var, com um enclave nos Alpes Marítimos, as apelações de:
– Coteaux d’Aix-en-Provence;
– Coteaux Varois en Provence;
– Côtes de Provence (a maior delas e cuja produção de vinhos rosés é de 75%);
– Côtes de Provence Sainte-Victoire e, mais especificamente;
– Bandol: considerada a melhor “appellation” da Provence;
– Cassis: situada perto de Marseille e que produz, segundo alguns, um dos melhores brancos da Provence. São feitos à base de Ugni Blanc, Clairette, Sémillon e Marsanne. Encorpados, cheios de caráter e aromas de amêndoa, flores brancas, pêssegos, alperces e até frutos exóticos como lichias e mangas e tons, muitas vezes, de iodo.
– Pallete (apelação minúscula quase restrita ao famoso Château Simone, sempre citado como o vinho preferido de Churchill no sul da França);
– Bellet (cru de Nice – produz apenas 100.000 garrafas por ano);
-Côtes du Luberon produzem vinhos com uma agradável diversidade aromática e de nuances, todos com agradáveis características frescas oriundas do solo e clima do Mediterrâneo.
Região historicamente especializada em rosés límpidos, frutados e generosos, os vinhedos provençais também produzem extraordinários e potentes vinhos tintos que podem envelhecer muitos anos nas caves, tornando-se leves e delicados.
Sua história com vinhos iniciou há 2.600 anos, quando os fenícios fundaram Marseille e introduziram a primeira vez na França a plantação de vinhas.
Solo e Clima
Dois grandes tipos geológicos convivem na Provence: cristalino e calcário. Toda a zona a oeste e ao norte do vinhedo provençal é constituída de uma alternância de colinas e de barreiras calcárias esculpidas pela erosão. Lá se encontram a montanha Sainte-Victoire, o maciço de Sainte-Baume e ainda de Gorges du Verdon, os quais marcam a fronteira norte da Provence vinícola. Mais a leste, na face do mar, afloram os maciços cristalinos de Maures e de Tanneron. As paisagens, bem diferentes das anteriores, são compostas de colinas e pequenas montanhas cobertas de vegetação (de arbustos e florestas). Continuando através do leste, entre Saint-Tropez e Cannes, o solo cristalino é “furado” em razão das erupções vulcânicas das rochas.
A insolação é a primeira característica do clima provençal: entre 2.700 e 2.900 horas por ano. As temperaturas são particularmente elevadas no verão, mas a diversidade do relevo que se altera seguidamente em distâncias curtas traz diferenças importantes aos vinhos. Como em todas as zonas mediterrâneas, a Provence recebe muita precipitação, que não raras às vezes são bastante violentas no outono e na primavera. O verão é seco e quente e chega a ser escaldante no interior em face da ausência de ventos.
De uma maneira geral, os ventos são frequentes na Provence e integram o clima da região. O mais forte e conhecido é o Mistral. Apesar de gélido no inverno, aporta certo frescor às vinhas. No entanto, dentre as suas características estão o fato de ser seco e proteger as vinhas dos ataques das doenças ligadas à umidade.
– Cepas:
As cepas tintas e rosés
– SYRAH – suas pequenas bagas escuras conferem aos vinhos cores profundas, riqueza de taninos e condições de envelhecimento prolongado. Com os anos, a evolução aporta aos vinhos notas com características de baunilha, tabaco e frutas vermelhas confitadas.
– GRENACHE – esta cepa originária da Espanha é bastante empregada em Coteaux d’Aix-em-Provence, aonde produz vinhos jovens de aromas elegantes de pequenas frutas vermelhas que, com a idade, evoluem para notas mais condimentadas e de aromas animais. Aporta ao vinho corpo, amplitude e potência.
– CINSAULT – originária da Provence foi utilizada durante muito tempo para os vinhos de mesa. Largamente utilizada para os vinhos rosés, aporta aos mesmos frescor, finesse e fruta, de forma mais potente que as outras cepas.
– TIBOUREN – autêntica cepa provençal, delicada e elegante, oferece aos rosés fineza de aroma e riqueza ao “bouquet”.
– MOURVÈDRE – provém da Catalunha e seus pequenos grãos preferem o “terroir” quente e de solos calcários. Esta cepa, cujo berço maior se encontra na AOC Bandol, tem maturação lenta e aporta aos vinhos taninos finos e bem firmes, aromas de violeta e amora. Notas de tabaco, pimenta e canela se revelam após alguns anos de envelhecimento na cave.
– CARIGNAN – adaptável aos solos pobres está fortemente espalhada pela Provence. Confere aos vinhos cor que constitui excelente base para as “assemblages”.
– CABERNET SAUVIGNON – pouco disseminada na Provence, aporta aos vinhos taninos potentes e, às vezes, doces, que facilitam o envelhecimento. Nariz com características de pimenta verde e cassis a distinguem das outras cepas.
As cepas brancas
– ROLLE (ou VERMENTINO) – cepa originária da Ligúria é cultivada atualmente também na Provence. Origina vinhos, às vezes, robustos e de grande qualidade gustativa, aromas cítricos e de pimenta.
– UGNI BLANC – cepa de origem toscana, permite se obter um vinho claro e frutado, de grande “finesse”.
– CLAIRETTE – cepa muito antiga da Provence produz pouco, mas oferece vinhos aromáticos e “bouquets” com notas de frutas brancas.
– SEMILLON – utilizada em “assemblages”, aporta ao vinho uma potência aromática, corpo e elegência, com nuances de flores brancas e mel.
– BOURBONULENC BLANC OU DOILLON – cepa bastante tardia, rústica e robusta, tem produção discreta na Provence. Confere ao vinho um toque de “finesse” e “redondez.”
Destaques da Região:
* Château Simone – AOC Palette – Gerida pela família Rougier desde 1850, goza de um inconstestável estatuto especial em toda a França. São 17 hectares de vinhedos, os quais são responsáveis por 4/5 da denominação, assim declarada em 1948. As encostas de Montaiguer, voltadas a norte, na fronteira de Aix, proprocionam um terroir fresco num ambiente quente. No século XVI, os monges de Grands Carmes d’Aix plantaram videiras e cavaram uma cave na colina. Construíram também o núcleo do Château, que foi posteriormente aumentado. Cultivam Grenache , Mouvèdre e Cinsault, dentre as tintas, e Clairette, Ugni e Grenache Blanc, dentre as brancas. Muitas vinhas têm mais de 50 anos. O vinho branco, destaque do Château, é fermentado em pipa e envelhecido em madeira até o segundo ano após o final da vindima. Pode ser amadurecido durante décadas, quando se manifesta muito elegante, com tons torrados e aroma de noz. Os tintos, ricos em taninos, não têm menos classe.
* AOC Bandol – está entre os raros locais do mundo em que se reúnem todas as condições para um vinho totalmente original. Com encostas voltadas para o mar e protegidos dos ventos frios do norte, tornam-se ideais para a viticultura. Está entre as primeiras encostas do Mediterrâneo em que foram plantadas videiras – século XV a.C.
Sua fama baseia-se em apenas uma cepa: Mourvèdre. Neste local aporta taninos marcados, mas elegantes, que derivam das encostas ricas em greda e lhe conferem um potencial de envelhecimento mais raro no sul. Para amadurecer convenientemente requer um tratamento especial: deve ser desbastada para controlar o volume de produção e melhorar a qualidade. Necessita de 3000 horas de sol em locais abrigados para amadurecer e atingir o seu teor alcoólico potencial de 12,5%, sem o qual não tem qualidade.
Alguns Produtores de destaque e os favoritos de Jancis Robinson: Bégude, Bunan, Château de Bellet, Gavoty, Hauvette, Pibarnon, Richeaume, Rimauresq, Tempier, Trévallon, Vannières.