Em degustação realizada em 25 de setembro de 2014, dez confrades puderam conhecer alguns vinhos húngaros, trazidos pelo confrade Jorge Ducati de sua viagem ao Congresso de Terroir ocorrido em Tokaj e Eger. Na ocasião, foi distribuído o seguinte texto:

A Hungria vitícola tem uma paisagem vasta e diversificada, dividida em 16 regiões, cobrindo boa parte do país. Após a queda do regime comunista, muitos vinhedos estatais foram comprados por particulares e assim nasceram milhares de pequenas propriedades. Castas de uvas autóctones repartem território com castas globais. Com clima continental e solos muito variados, a Hungria tem enorme diversidade de vinhos. Hoje vamos conhecer vinhos de duas regiões recentemente visitadas.

1. Nobilis, Hárs 2012. Uvas Háslevelü (brancas). Região Tokaj, located in the north-east of Hungary, near the border with Slovakia. Comprising roughly 30 small towns and villages, the region measures about 40km from south-west to north-east, making it roughly the same size as Burgundy’s Cote d’Or. At Nobilis winery, enologist Sarolta Bardós planted her own 6 ha in 1999. In 2005 she converted a traditional 19th century house into a winery and cellar in the middle of the town of Bodrogkeresztúr. In addition to dry and off dry bottlings of Furmint, Hárslevel?, Kövérsz?l?, and Sarga Muskotály, she is also making incredible late harvest and Tokaji Aszú 5 and 6 Puttonyos. Preço 12 euros.
2. Oremus, Mandolás 2012. Uvas Furmint (brancas), 13,5°. Região Tokaj. Produto da Oremus, criada em 1993 como braço da espanhola Veja Sicilia na Hungria, unindo o tradicional com o ultra-moderno. A Furmint disputa com a Háslevelü o título da uva branca emblemática da Hungria. Preço 12 euros.
3. Tokaji Kés?i Arany 2013. Vinho doce de uvas Furmint e Háslevelü, 10°. Região Tokaj. Vinhos brancos doces são muito consumidos no país. Preço 6 euros.
4. Rabóczki, Egri Bikaver 2009, 13,5°. Região Eger. É o vinho tinto mais conhecido na/da Hungria. Significa “sangue de touro de Eger”, expressão reminiscente da luta contra os turcos. Eger é uma região a nordeste de Budapest. Há muitos produtores de Egri Bikaver, um vinho que para ter este nome deve ser um corte das castas autóctones Kadarka e/ou Kékfrankos com outras castas locais ou globais como Blauer Portugieser (Kékoportó), Pinot Noir, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Menoire, Turán, Bíborkadarka, Blauburger e Zweigelt. Preço 12 euros.
5. Thummerer, Egri Kadarka 2006, 15,5°. Região Eger. Esta vinícola é um exemplo do reordenamento vitícola pós-comunismo. Os atuais proprietários compraram os vinhedos do governo, ampliaram e modernizaram as instalações, que contam com impressionantes túneis cavadas na rocha calcárea. A casta Kadarka é uma das mais autenticamente autóctones da região. Preço 18 euros.
6. Hétsz?lo, Tokaji Aszú 2004, 5 puttonyos, 11°. Vinícola com sede na própria vila de Tokaj. “Tokaji” significa “de Tokaj”. A palavra “aszú” significa “seco”, mas está associada às uvas ou aos vinhos feitos com uvas botritizadas. “Puttonyo” é um balde com capacidade para uns 25 kg de uvas, no qual são postas uvas aszú. Um Tokaji Aszú de 5 puttonyos é um vinho doce feito a partir das uvas de uma barrica com 136 quilos de uvas não botritizadas, na qual também foram postos 5 destes baldes. A definição é mais precisa desde 2014, e agora só podem ser elaborados Tokay Aszú de 5 puttonyos (ao menos 120 g de açúcar residual por litro) ou 6 puttonyos (150 g), ou seja, não haverá mais 3 e 4 puttonyos. Preço 37 euros.

As impressões: os brancos são muito originais, com destaque ao equilíbrio do Furmint e à suavidade do Hárzlevel?. O branco doce é também muito bem balanceado no seu dulçor, portanto vinho delicioso.
Já o Egri Bikaver foi considerado o melhor vinho desta categoria (outros Egri Bikaver, degustados anteriormente), ou seja, um belo vinho. O Kadarka surpreendeu. Alguns confrades o julgaram estragado; cor tinta pálida, como um Pinot Noir básico; aroma desagradável, ácido, etc. Com o tempo em taça, desenvolveu-se e vários confrades gostaram muito, em especial pela originalidade bem palatável, parecido a um Pinot Noir.