Grande degustação de vinhos da Áustria, perfeitamente harmonizados com wiener schnitzel e torta de chocolate! onde, em Viena? não, na SBAV das Quintas! o evento improvável ocorreu em 6 de agosto de 2015, para treze associados, que puderam conhecer algo mais sobre os vinhos austríacos, pois seis belas garrafas foram trazidas de lá pelo confrade Jorge Ducati; os confrades Carla Porto e Jaime Oliveira esmeraram-se em preparar um wiener schnitzel a rigor, e ainda uma torta de chocolate vienense que harmonizou-se perfeitamente com um eiswein. Ou seja, nem em Viena teríamos tal perfeição!
Sendo a SBAV uma sociedade dedicada ao estudo do vinho, na ocasião foi distribuído o seguinte texto:
Vinhos têm sido produzidos na região que hoje é a Áustria desde tempos imemoriais, e com um clima relativamente frio, as castas brancas tendem a dominar. Dentre os vinhos tintos, a maioria provém de variedades locais resultantes de cruzamentos, o que contribui para que os vinhos austríacos sejam únicos, tanto por efeitos de terroir quanto devido às castas típicas. A variedade branca Grüner Veltliner domina (36% do total produzido), e a tinta Zweigeld responde por 10%. Os vinhos tendem para um estilo mais leve, se bem que há produtores que conseguem elaborar vinhos encorpados e de longa guarda. O país tem hoje algo como 50.000 hectares de vinhas. A produção está concentrada nas regiões de menor altitude do leste, incluindo a “Baixa Áustria- NiederÖsterreich” e a região de Viena. Ali estão algumas das áreas de maior prestígio, em torno do rio Danúbio, como a de Wachau, no entorno do sítio histórico de Melk. Destaque-se que os vinhos de qualidade têm uma cápsula característica, mostrando um selo com as cores nacionais. Os vinhos a serem degustados são os seguintes:
1. Domäne Wachau, Terrassen Smaragd, Grüner Veltliner 2013, 13°. Aqui, “terrassen” indica vinhas plantadas em terraços, e “smaragd” denota um pequeno lagarto verde típico da região, sendo a palavra usada para identificar a melhor categoria na hierarquia dos vinhos da “”Vinea Wachau Nobilis Districtus”. 17,75 euros.
2. Kurt Angerer, Eichenstaude Grüner Veltliner 2012, 13,5°; NiederÖsterreich. Pequeno produtor de prestígio, parcela “Eichenstaude” (arbusto de carvalho). 22,90 euros.
3. Domäne Wachau, Terrassen Smaragd, Riesling 2013, 13°. Embora esta casta responda por menos de 4% do vinhedo nacional, seus vinhos estão dentre os de maior prestígio. 21,30 euros.
4. Weingut Josef Fritz, GrossSteinberg Roter Veltliner 2013, 14°. Região de Wagram, entre Viena e Wachau. A palavra “Roter” designa bagas de cor rosada; esta casta não tem parentesco com a Grüner Veltliner. Variedade muito antiga e muito pouco cultivada, 260 hectares na Áustria… este vinho é uma raridade. 26,90 euros.
5. Kirchholz, Alte Reben Blaufränkisch 2012, 13,5°. Mittelburgenland “Districtus Austriae Controllatus (DAC)”, denominação semelhante à AOC francesa, aplicada para certas regiões. A casta nativa Blaufränkisch (Kékfrankos na Hungria), quando domada sua alta produtividade, dá vinhos muito típicos e de alta qualidade; neste caso, “Alte Reben” é “Vinhas Velhas”. 19,90 euros.
6. Ilkerl, Grüner Veltliner Eiswein 2004, 10°. Vinho do gelo da região de Krems, próximo a Viena. Cantina familiar, produção ínfima. 19,70 euros.
Vinhos realmente muito bons. O Grüner Veltliner, quando elaborado com esmero, o que foi o caso dos dois que provamos, resulta em vinhos esplêndidos, com acidez corretíssima para a alta gastronomia. Destaque para o Kurt Anderer, com tons um pouco mais doces, equilibradíssimos nesta harmonização.
O Riesling tinha sutis tons de petróleo, reminiscentes da molécula TDN; muito bom.
O Roter Veltliner é um vinho único. Também sutilmente doce, delicado. Temos que buscar mais.
O tinto Blaufränkisch: leve, elegante, um tinto que queria ser branco. Delicioso para a ocasião.
E finalmente o vinho do gelo: perfeito com a torta, pena que era uma meia-garrafa.