A reunião da SBAV/RS de 8 de maio de 2026 foi organizada pelo confrade Leandro Rovani e teve como tema “O vinho toscano da Casa Brancaia”. Na ocasião foi distribuído o seguinte texto, preparado pelo Leandro:

A produção de vinhos da Brancaia teve seu início em 1981, quando o casal suiço Bruno e Brigitte Widmer, apaixonados por vinhos e pela Toscana, comprou a colina Brancaia em Castellina in Chianti – uma casa que precisava de reformas e 20 hectares de terra. A viticultura e a vinificação logo se seguiram com a ajuda da família Mazzei (famosa pelo Castello di Fonterutoli) e, em 1986, a Brancaia saiu vitoriosa em uma degustação às cegas de Chianti Classico organizada pela revista suíça de vinhos Vinum.

Em 1988, a Brancaia produziu pela primeira vez o Il Blu, cuja composição não se enquadrava nas normas do Chianti Classico. O fato de o Il Blu só poder ser classificado como vinho de mesa não desanimou Bruno e Brigitte Widmer: Bruno estava firmemente convicto da qualidade do seu vinho e sabia que, no fim das contas, o que importa é o sabor, não a classificação. Com essa determinação, a Brancaia tornou-se, nos anos seguintes, um dos ” Supertoscanos Históricos ” (https://www.historicalsupertuscans.com/en/), admirado por apreciadores de vinho em todo o mundo pela sua complexidade e elegância.

Em 1989, os Widmer compraram outra propriedade completamente arruinada em Radda in Chianti, também na região do Chianti Classico. Lá, decidiram construir a sua própria vinícola – a base para o crescimento futuro da Brancaia, que, depois disso, comprou terras em Maremma/Grosseto (1998), totalizando 80 ha de propriedades, abriu um novo centro logístico, com visitação (2014), bem como passou a incrementar o enoturismo, com a construção da Osteria Brancaia na vinícola Radda (2019) e, em 2025, com o bar de vinhos gastronômico em Castellina in Chianti. Bárbara, a filha dos proprietários, abraçou a causa do vinho e hoje reside nas propriedades para observar de perto todo o cultivo e a produção. Cada parcela individual de vinhedo é colhida manualmente e levada rapidamente para a vinícola para processamento, com seleção inicial das melhores uvas na mesa de triagem, passando, após isso, por modernos e cuidadosos processos de vinificação por gravidade e guarda.

Hoje teremos o privilégio de degustar três vinhos da Casa Brancaia: o icônico Il Blu, em sua safra 2019, o Ilatraia 2020, produzido com as melhores parcelas da vinícola em Maremma, bem como um Chianti Classico Riserva 2021, vinho este já degustado na mesa da SBAV-RS no ano de 2023, em sua safra 2020 (https://sbav.com.br/vinho/chianti-e-sangiovese/degustacoes/).

Além desses vinhos, teremos o privilégio de apreciar o Ducaia de safra 2009, de Mariana Pimentel, vinho que demandou longos anos de maturação em garrafa, mas que se encontra provavelmente em todo seu esplendor, produzido pelo confrade Ducati. Este vinho foi escolhido por ter as características similares ao Il Blu em termos de castas, diferenciando-se pelo terroir e por não passar em madeira.

O espumante de entrada será italiano, não um toscano, mas da região do Vêneto. O prato à mesa que irá harmonizar com os tintos será apresentado pelo Chef Mario Bercht, um apetitoso risotto alla milanese, acompanhado de carne ao molho de vinho. A sobremesa será uma surpresa toscana, uma combinação tradicional relacionada ao mundo do vinho.

Espumante Contarini Gran Cuvée Millesimato Brut – Vazzola, Treviso, Vêneto, Itália – ABV 11% – Açúcar residual 10,5 g/l – Acidez 3,3g/l.

Elaborado pelo método Charmat, o espumante combina as uvas Glera, Pinot Grigio e Chardonnay de uma única safra em um processo que preserva frescor e aromas. Após a colheita, as uvas são prensadas suavemente e o mosto fermenta a baixa temperatura em tanques de inox. O vinho base passa então por uma segunda fermentação em autoclaves por cerca de 60 dias. Depois de estabilizado e filtrado sob pressão, é engarrafado.

Coloração amarelo palha claro; perlage fino e persistente; aromas delicados de frutas brancas e flores, paladar fresco, equilibrado e elegante.

Harmoniza como aperitivo e pode acompanhar pratos à base de peixe, mariscos e crustáceos, bem como culinária asiática, especialmente sushis, sashimis e pratos levemente condimentados.

Marchesi Ducati & Duchessa Fachel – Ducaia 2009 – Serra do Sudeste – Brasil – ABV 12,1%.

Assim depõe o produtor e confrade Jorge Ricardo Ducati sobre a safra: “2009 foi um ano de médio para bom. Lembro que enquanto colhíamos no sítio, com tempo seco, por vezes, na Serra Gaúcha estava chovendo (…) este corte demorou anos para ficar abordável…”.

Deste vinho foram produzidas apenas 98 garrafas na safra de 2009, num corte de Sangiovese Grosso (Brunello) 50%, Cabernet Sauvignon 25% e Merlot 25%. Tal blend é tradicionalmente utilizado nos supertoscanos, caso do Il Blu.

Proibido beber sem a companhia de bons e fiéis amigos.

Brancaia Il Blu 2019 – IGT Rosso Toscana, Itália – ABV 14,5%.

Segundo a equipe de Robert Parker, esse é “o vinho que colocou Brancaia no mapa das vinícolas mais famosas da Toscana”, sendo o topo de linha da vinícola, produzido exclusivamente com as melhores uvas, selecionadas manualmente, dos vinhedos de Castellina in Chianti e Radda in Chianti, é regularmente elogiado por críticos de vinho de todo o mundo.

Blend de Merlot (80%), Sangiovese (10%) e Cabernet Sauvignon (10%), amadurece 18 meses em barricas francesas, sendo dois terços delas novas. Em seguida, todas as barricas são degustadas individualmente para selecionar o blend final, que amadurece em tanques de concreto sem revestimento por 3 meses e, depois, envelhece na garrafa por pelo menos mais um ano. Com taninos ultrafinos e um final suave e encorpado, IL BLU é um vinho de corpo inteiro que impressiona pela sua complexidade e elegância.

Aromas de groselha, violeta e cacau. Um vinho de grande estrutura, com taninos elegantes, firmes e cremosos. Rico e intenso, com notas doces de groselha e frutos silvestres que caracterizam o final.

Ideal para acompanhar alimentos com sabor marcante, carnes escuras como carne bovina ou de cordeiro, caça assada ou cozida lentamente.

Aceita até 25 anos de guarda. Janela de consumo: 2023-2040 (Wine Searcher).

Brancaia Ilatraia 2020 – IGT Rosso Toscana, Itália – ABV 14%.

É o vinho de topo da Brancaia na Maremma – encorpado e impressionante pelo frescor, precisão e elegância. Apresenta um equilíbrio perfeito entre maturidade e finesse, sendo extremamente sedoso e refinado, com taninos macios típicos da costa toscana.

O blend leva 40% Petit Verdot, 40% Cabernet Sauvignon e 20% Cabernet Franc e as três castas amadurecem perfeitamente sem irrigação. O Ilatraia estagia durante 18 meses em barricas francesas, metade das quais novas, 3 meses em tanques de concreto e depois amadurece na garrafa por pelo menos um ano.

Aromas intensos de frutas negras. Um vinho firme e sedoso, com taninos finos e um final delicioso.

Acompanha comida com sabores equilibrados e intensos, pratos de carne e caça fritos ou ensopados e aves como pombo ou faisão.

Aceita até 25 anos de guarda. Janela de consumo: 2023-2040 (Wine Searcher).

Brancaia Chianti Classico Riserva DOCG 2021 – Itália – ABV 14%.

O Brancaia Chianti Classico Riserva é produzido a partir das melhores uvas Sangiovese de Brancaia e Poppi (Castellina in Chianti, Radda in Chianti), e depois misturado com um toque de Merlot.

Vinho intenso, de corpo médio a encorpado. Aroma prolongado de cereja, frutas negras e um toque de especiarias, couro, alcatrão e terra arada. Na boca, apresenta-se estruturado, fresco e suculento na mesma medida.

Composição: 80% Sangiovese, 20% Merlot. Descansou por 20 meses em barris de carvalho francês.

Amadurecimento de 16 meses, Sangiovese em tonneaux, Merlot em barricas.

Harmonização sugerida: Carnes grelhadas, assadas ou cozidas lentamente (bovina e vitela), guisados, peixes grelhados e massas com molhos de sabor intenso.

Aceita até 15 anos de guarda. Janela de consumo: 2024-2036 (Wine Searcher).