A percepção de “veludo” em um vinho pode vir de seu equilíbrio, da natureza das uvas, ou de fatores múltiplos como teor de álcool, presença de glicerina, goma arábica, certos taninos, e outros. É oposta à impressão de vinhos “duros” ou “rascantes”. Alguns degustadores podem achar um vinho aveludado, outros não. Certas cantinas se esforçam para produzir vinhos aveludados, ao gosto de um público que busca vinhos fáceis de beber. Enfim, o assunto é complexo, inclusive pela subjetividade na percepção. Para discutir o assunto, o associado Jorge Ducati organizou em 12.3.2009 degustação às cegas, para onze confrades, selecionando alguns produtos bem conhecidos pela sua maciez, e outros com a expectativa de serem “duros”. Foi solicitado aos degustadores que indicassem o melhor vinho (independentemente de sua eventual natureza aveludada), e quais os vinhos mais aveludados. Os resultados estão a seguir, em ordem de colocação como “melhor vinho”, com a menção de “mais aveludado” entre parênteses.
1. Ventisquero Queulat Merlot 2005, Maipo, Chile, 14,5º, R$ 48,00 (1º em veludo);
2. Merlot de Mariana 2005, Mariana Pimentel, Brasil, 11,5º, R$ 20,00 (2º em veludo);
3. Domaine du Bouscat 2005, Bordeaux Sup, França, 13º, R$ 53,00 (o mais duro) ;
4. Don Laurindo Cabernet Sauvignon Res. 2004, Brasil, 12,8º, R$ 27,00;
5. Casa Silva Cabernet Sauvignon Res. 2007, Colchagua, Chile, 14º, R$ 50,00;
6. L´Arco, Rosso del Veronese IGT 2003, Itália, 13,4º, R$ 48,00.
Interessantemente, os vinhos julgados melhores foram também julgados os mais aveludados. Por outro lado, o Bordeaux 2005, como era de se esperar, apresentou a “dureza” típica dos vinhos daquela região, para apenas quatro anos de envelhecimento.