O Sudoeste francês é uma região muito interessante para o enófilo curioso. Situada abaixo de Bordeaux, está a Gasconha, que viveu um passado de grandes glórias com seus tintos, reconhecidos por reis e papas, e depois um longo período de decadência e conformismo, que, partindo dos anos 80 começou a mudar rapidamente para melhor.


Resumidamente, a época de glória foi vivida nos séculos XII ao XV, quando o robusto “vin noir” de Cahors (com maior potencial de guarda) tinha mais prestígio que os “claretes” bordaleses da época, que azedavam antes de um ano. Negócios, porém, são negócios e os poderosos comerciantes de Bordeaux conseguiram transformar em lei por volta dos séculos XIII/XIV a “police de vins” que só permitia a exportação dos vinhos do Sudoeste depois que toda a safra bordalesa fosse comercializada. Esta política vigorou até quase 1800, e foi um forte desestímulo para os vinhateiros do Sul. Com a evolução técnica dos bordaleses e o ataque da filoxera, a região conformou-se a somente lembrar do seu passado.


Nos anos 80 um empreendedor chamado Alain Brumont, decidiu apostar na revitalização do Sudeste, especialmente na região do Madiran, cuja cepa característica é o personalíssimo Tannat. Investiu na pesquisa das melhores condições para o cultivo desta vinífera e em tecnologias de processamento modernas. Obteve vinhos tintos de grande qualidade e o reconhecimento mundial dos seus produtos (Château Montus e Château Bouscassé). Atualmente inúmeros vinhateiros da Gasconha são seguidores entusiastas de seus métodos.


Na reunião do dia 03 de agosto de 2006, organizada por Myriam Kapczinski, foi levantada a seguinte pergunta: o Tannat uruguaio é comparável ao Tannat do Madiran?


Os vinhos selecionados foram:

 Bouza, 2004 / 14,5%- R$ 60,34;

D Adélio Ariano Res. Oak Barrel, 2002, 13%-R$ 16,80;

Bouza A6, 2004,15%- R$ 145,28;

Chateau Montus, 14,5%/2001– R$ 110,71 

Chateau Bouscassé, 2001/14%- R$ 74,77.


Os vinhos foram degustados às cegas após 30 minutos de decantação, visto que este procedimento é sugerido por muitos produtores de Tannat, e a intenção era avaliá-los de forma que pudessem revelar sua melhor expressão.

 Os exemplares mostraram-se bastante equilibrados em suas características. Intensos em sua coloração, quase negros, com exceção do Adélio Ariano, com menor concentração de cor. Madeira, baunilha, um pouco de fruta, nuances de tabaco pontuaram seus aromas. Houve consenso entre os confrades sobre a ótima qualidade dos exemplares, mas destacou-se o potente e rico Bouza A6 como o “top” da noite e foi festejado por seu excelente custo benefício o D. Adélio Ariano Oak Barrel.

Os vinhos uruguaios degustados mostraram-se equiparados aos seus pares do Madiran, mostrando mais uma vez o excelente nível que cuidadosos e atentos vinhateiros do Novo Mundo estão obtendo com seus produtos.