A reunião da SBAV/RS de 21 de agosto de 2026 teve por tema “Touriga Nacional”.
Inspirados pela guarda da Jandyra de dois vinhos da casta Touriga Nacional, reunimos forças, Leandro e Ducati, amealhando mais alguns rótulos interessantes e que acreditamos possam ser representativos da casta, sejam na forma de varietais, ou de predominância no corte.
Portugal possui mais de 230 castas autóctones, o que explica a vocação dos vinhos portugueses justamente pela mistura de castas não afastando a moderna tendência de exploração dos varietais. É nessa exploração que se destaca justamente a Touriga Nacional como, quem sabe, a casta vinífera mais importante de Portugal. Conhecida por possuir cor intensa, belo corpo e aromas marcantes “de frutas negras, quase em calda e com um toque floral bastante diferenciado – de violetas, por vezes. Em algumas versões, o vinho resultante tem sabores concentrados e frutados, embora em boca seja de boa acidez, taninos elevados e um toque (que pode ou não ser sutil) de especiarias” (A história da Touriga Nacional, uma das uvas mais importantes de Portugal).
Vale lembrar que, em 2019, produtores bordaleses solicitaram ao INAO (Institut National de l’Origine et de la Qualité) a inclusão de sete novas castas que poderiam ser vinificadas na região. Uma das escolhidas foi a Touriga Nacional, que pode representar área plantada de até 5% do vinhedo total e, na elaboração do corte, no máximo 10% do volume. É um triste sinal dos tempos (ou do clima), mas inegavelmente um prestígio considerável.
Além de vinhos portugueses de terroirs adequados à Touriga Nacional, teremos um intruso brasileiro da casta, bem como abriremos com um espumante rosé português, sem foco necessário na uva da noite. Na sobremesa, teremos um belo Porto LBV de 2010, acompanhado de quitutes portugueses. Para acompanhar os vinhos tranquilos, o Chef Vianna prepara um “Risoto di baccala a la crema” – arroz arborio, cozido nos padrões italianos, com uma finalização diferente, com broto de bacalhau, tomate pelado e natas.
Nesta noite a SBAV será uma Casa Portuguesa, com certeza! Os vinhos são os seguintes:
- Wine Folly Espumante Filipa Pato 3B Rosé – Bairrada, Portugal – ABV 12%. • Baga e Bical • A uva Baga é fermentada em barris de carvalho usados e a Bical em aço inoxidável com controle de temperatura de 18° C. Segunda fermentação ocorre sur lies em garrafa, por 9 meses. • Visual rosa salmão. Aromas de framboesa, fermento de pão e toques tostados. Corpo leve; paladar frutado e de excelente acidez. • Harmoniza com frutos do mar, frios, saladas e pratos asiáticos.
- Quinta Santa Maria Purpurata 2010 – Planalto Catarinense – Brasil – ABV 13,3%. • De uvas da cepa Touriga Nacional cultivadas a 1.200 metros de altitude nos vinhedos da Serra Catarinense, elaboradas sob a classificação de vinho fino seco. Passagem por barricas novas de carvalho. • De coloração cor rubi profunda, vinho leve e agradável, com acidez frutada e taninos redondos, aroma marcado por frutas vermelhas com notas de especiarias como a baunilha e o coco. • Acompanha bem saladas de hortaliças frescas, queijos leves, frios de um modo geral, pratos à base de carnes brancas e caças de pena, massas com molhos vermelhos e receitas com bacalhau.
- Dorina Lindemann Plansel Selecta Touriga Nacional 2009 – Alentejo (Évora) – Portugal – ABV 14%. • De uvas 100% da cepa Touriga Nacional cultivadas em Évora, sob clima temperado de características mediterrâneas e continentais com elevada insolação. Tipo de solo: Solos mediterrâneos pardos de materiais não calcários. Elaboração: Vinificação lenta em lagares por 15 dias, com fermentação malolática e amadurecimento em barricas. Amadurecimento: 10 meses em barricas de carvalho francês. Estimativa de guarda: 10 anos. • De coloração tinto intensa, de corpo robusto e perfil tânico bem estruturado com marcante presença de madeira, aroma rico em notas florais e de frutos negros maduros envolvidos por nuances amadeiradas dadas pelo carvalho. • Acompanha bem cabrito ao forno ou estufado com vinho tinto, caça de pêlo e queijos maduros.
- Churchill Graphite Touriga Nacional 2015 – Douro – Portugal – ABV 13,5%. • De uvas da cepa Touriga Nacional cultivadas nos vinhedos da região do Douro, elaboradas sob a supervisão do enólogo John Graham para a Churchill Estates. • De coloração tinto rubi profunda, rico e aveludado na boca, revelando toda a sua complexidade à medida que se abre, com excelente acidez e final longo, aroma elegante com notas marcantes de manjericão selvagem e toques de eucalipto. • Acompanha bem carnes vermelhas assadas, pratos de caça, estufados tradicionais, massas com molhos encorpados e queijos curados.
- Bodega Czarnobay Alto das Figueiras Touriga Nacional 2023 – Serra do Sudeste, RS – Brasil – ABV 13,5%. • De uvas 100% da cepa Touriga Nacional cultivadas nos vinhedos da Bodega Czarnobay em Encruzilhada do Sul, revelando a elegância do terroir local. Amadurecimento: 10 meses em barricas de carvalho francês. Apresenta bom potencial de guarda. • De coloração rubi intenso com matizes violáceos, bom volume de boca, muito boa acidez e excelente persistência, aroma bastante floral destacando lírio e violetas acompanhado de bom frutado de frutas vermelhas, com toques de especiarias e notas amadeiradas. • Acompanha bem carnes vermelhas, coelho, leitão, queijos médios e massas com molhos gordurosos.
- Quinta do Vale Meão Meandro do Vale Meão 2023 – Douro Superior – Portugal – ABV 13,5%. • De uvas das cepas Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (30%), Tinta Roriz (10%), Tinta Barroca (5%), Baga (3%) e Alicante Bouschet (2%), cultivadas nos vinhedos da Quinta do Vale Meão a 280 metros de altitude. Tipo de solo: Matriz granítica com textura arenosa, elevado teor de argila e presença de quartzo. Elaboração: Pisa a pé durante quatro horas em lagares de granito e vinificação separada das castas. Maturação: Barricas de carvalho francês Allier de 225 litros de 2º e 3º ano. Sugestão de guarda: Mais de 10 anos. • De coloração tinto encorpado e de grande profundidade visual, rico, sedutor e em estilo muito complexo na boca, com excelente equilíbrio entre taninos finos, acidez viva e intensa expressão de fruta. • Acompanha bem assados de carnes vermelhas, caças, pratos bem estruturados da culinária tradicional e queijos curados.
- Quinta de Santa Eufêmia Late Bottled Vintage (LBV) 2010 – Douro – Portugal. • De uvas das cepas tradicionais Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz cultivadas nos vinhedos da região do Douro, selecionadas para a elaboração deste vinho do Porto fortificado. • De coloração tinto rubi profunda, estilo frutado com boa estrutura de taninos equilibrados e final marcante, aroma rico em frutas pretas maduras com notas acentuadas de amoras e cerejas, envoltas por toques de especiarias. Acompanha bem chocolate amargo, sobremesas de frutas vermelhas e queijos intensos. Vinhos muito bons, com destaque para o LBV e para a Dorina; o Chuchill também agradou muito. Infelizmente o Purpurata não estava em condições de ser apreciado, talvez passou muito tempo; foi pena, pois perdemos a oportunidade última de degustar um vinho de uma vinícola extinta.