Em reunião de doze confrades em 17 de março de 2016, as Quintas puderam estudar vinhos de algumas castas raras, trazidos da adega dos confrades Jandyra e Ducati. Na ocasião, foi distribuído o texto de apoio:
Vinhos de Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, conhecemos bem. Castas globalizadas, produzidas por toda parte. Mas, vinhos de outras castas de uvas, como são? Sempre é bom explorar novas percepções eno-sensoriais. Hoje temos três castas pouco usuais:
– Egiodola. Variedade do sudoeste da França, resultante do cruzamento em 1954 da Abouriou com a Negra Mole (Negramoll); acreditou-se até recentemente que no lugar da Negramoll seria a Fer Servadou, mas exames de DNA resolveram a dúvida. A palavra vem do basco, Egiaskoodola, e significa “sangue de verdade”. Vinhos tânicos e de baixa acidez. Segundo o tratado Wine Grapes (Jancis Robinson, Julia Harding, José Vouillamoz, 1240 páginas), como vinho varietal é produzido no Uruguai e no Brasil (56 hectares); o livro menciona como produtores exatamente os que aqui apresentamos:
1. Pizzato, Egiodola Reserva 2003 (Vale dos Vinhedos), 12,9°.
2. Cave de Pedra, Egiodola Adaga 2006 (Vale dos Vinhedos), 13°.
– Teroldego. Variedade italiana do Trentino, raramente com vinhos varietais, tânicos, de cor profunda, com acidez média e de guarda. Hoje temos:
3. Angheben, Teroldego 2004 (uvas da Serra do Sudeste, RS), 13,2°.
4. Don Guerino, Teroldego Gran Reserva 2007 (Alto Feliz), 13°.
– Arinarnoa. Outra variedade do sudoeste francês, cruzamento em 1956 de Tannat e Cabernet Sauvignon (exame de DNA, que excluiu a hipótese Merlot/Petit Verdot). Vinhos de cor intensa e taninos finos, às vezes herbáceos e suaves, lembrando Cabernet Franc. O tratado Wine Grapes menciona 7 hectares no Rio Grande do Sul. Hoje apresentamos:
5. Bettú, Arinarnoa 2005 (Garibaldi), 14,2°.
6. Gimenez Mendez, Arinarnoa Alta Reserva 2008 (Las Brujas, Uruguay), 13,5°.

Como se vê, vinhos já com boa guarda. Todos estavam em sua plenitude, ou seja, não mostravam decaimento. Mais uma evidência de que vinhos brasileiros sim, envelhecem bem.
Além do mais, vinhos bons. Todos estavam redondos, sem taninos agressivos e com acidez discreta. Opinião unânime: ótimos. Os quatro primeiros (Egiodola e Teroldego) mostraram-se parecidos; já os Arinarnoa, como grupo, separaram-se e foram também considerados os melhores da noite, com empate na votação entre o Bettú e o Gimenez Mendez.
Portanto, noite para aprender, como é a cultura da SBAV/RS.
Como espumante de boas vindas, tivemos um equilibrado Larentis Brut, não tão seco assim, mas que agradou muito.