Os chamados vinhos tropicais têm cada vez mais chamado a atenção das comunidades dos pesquisadores e apreciadores, e congressos internacionais têm ocorrido periodicamente, dedicados às produções na Índia, Tailândia, Bolívia e Brasil, entre outros produtores de regiões não-temperadas, com apoio da OIV. No caso do Brasil, trata-se dos vinhedos na região do Vale do São Francisco, que têm chamado a atenção mundial pelo fato de poder haver duas, ou até mais, colheitas por ano, em função do manejo da água fornecida às vinhas. Este fato causa espanto aos pesquisadores e viticultores das regiões tradicionais, e é frequente que o conhecimento da produção brasileira, por parte destas pessoas, se limite à viticultura tropical. Os empreendimentos irrigados nas margens do rio, nos estados de Pernambuco e Bahia, são de grande vulto e a produção é muito grande. Os vinhos são bons? foi o que nove associados puderam conferir, em 16 de julho de 2015, quando nossos novos confrades Renato de Oliveira e Socorro Monteiro trouxeram alguns vinhos da região para degustação, juntos com queijos de coalho cru ou frito, e queijo manteiga! Pudemos degustar:
1. Vitivinícola Santa Maria, Vinha Maria 2010 (Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional), Lagoa Grande, Pernambuco, 14°.
2. Vinícola Ouro Verde, Testardi Syrah 2013, Casa Nova, Bahia, 14°. Empreendimento da vinícola Miolo, do Rio Grande do Sul.
3. Vitivinícola Santa Maria, Rio Sol Winemaker’s Selection 2013 (Alicante Bouschet), Lagoa Grande, Pernambuco, 13°.
4. Vitivinícola Santa Maria, Paralelo 8 Premium (Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Aragonez), 13,5°.
Os vinhos agradaram muito. Todos concordaram que todos repartem uma similaridade de estilo, ou seja, são encorpados, quentes, bem tintos. Os dois mais preferidos foram o Syrah e o Premium, mas os outros dois também foram elogiados. Talvez falte a estes vinhos algo de taninos, o que pode diminuir seu potencial de guarda. Cogitou-se sobre o quanto estes vinhos seriam reconhecidos em uma degustação às cegas, confrontados a vinhos de regiões mais temperadas… algo para o futuro! De qualquer modo, ficou claro que nosso vinhos tropicais são bons, perfeitamente bebíveis, estando de parabéns nossos novos confrades pela iniciativa. Falta conferir os brancos e espumantes tropicais, dos quais há bons comentários.