A SBAV-RS das Quintas se reúne neste 18/09/2026 para fazer uma degustação que para muitos tem tema original, mas para os mais antigos tem um sabor de revival, uma vez que o tema já foi abordado em 2002 (https://sbav.com.br/vinho/vinhos-gregos-creta-e-santorini/degustacoes-passadas/), conforme se pode aferir no site, bem como em 2007 pelo pessoal das Segundas (https://sbav.com.br/vinho/grecia-tintos/degustacoes-passadas/ e https://sbav.com.br/vinho/brancos-da-grecia/degustacoes-passadas/). Em 18 de julho de 2019 pudemos degustar vinhos do norte da Grécia. Ainda assim, tais degustações abordaram vinhos muito diferentes dos que serão apresentados nesta oportunidade.
Os confrades Beatriz e Leandro garimparam seis rótulos gregos, cortes e varietais das castas que pensam ser mais representativas, para apresentá-los aos demais confrades. Serão brancos de Assyrtiko de Santorini e Moschofilero do Peloponeso, tintos de Agiorgitiko de Nemea, Xinomavro de Naoussa e um blend de Messenicola com Syrah e Carignan de Karditsa. Além disso, teremos um Retsina na entrada.
Falando um pouco sobre cada uma dessas castas vale citar que a Assyrtiko é supostamente nativa de Santorini, não havendo ataque de Phylloxera em suas raízes, pois tal praga não sobrevive em Santorini. Espera-se vinhos secos, pálidos e com um toque salino, com alta acidez e levemente encorpados. Curiosamente, as parreiras de Assyrtiko são rasteiras, criadas em “cestos”, para proteger as uvas dos ventos excessivos. Dizem que algumas dessas parreiras podem ter até 300 anos… será?
A Moschofilero é uma uva rosada cultivada para produção de vinhos brancos. Diferentemente da Assyrtiko, nos brancos secos, produz vinhos mais aromáticos, florais, para serem bebidos jovens, tendo acidez característica, a qual permite também a produção de vinhos espumantes.
A Agiorgitiko é uma casta de uva tinta nativa da Grécia, cultivada principalmente na região de Nemeia, no Peloponeso, amplamente conhecida como o “Sangue de Hércules”. Reza a lenda grega que Hércules bebeu o vinho local de Nemeia, feito com essa casta, para matar sua grande sede após derrotar o Leão de Nemeia, em seu primeiro “trabalho”.
É uma uva tinta, frequentemente chamada de “multidinâmica”, pois é capaz de produzir uma grande variedade de estilos, desde rosés refrescantes e deliciosos tintos secos até vinhos doces concentrados. No entanto, as expressões mais comuns são os vinhos tintos jovens ou os tintos amadurecidos em carvalho por pelo menos um ano (https://winesofgreece.org/varieties/agiorgitiko/).
O Xinomavro de Naoussa é um dos vinhos tintos mais prestigiados, e complexos da Grécia. Produzido na região de Naoussa, na Macedônia (norte do país), a denominação de origem protegida (DOP) exige que o vinho seja elaborado 100% com a uva autóctone Xinomavro.
O nome Xinomavro traduz-se literalmente como “ácido negro” (xino = azedo/ácido, mavro = negro), uma referência direta à sua acidez vibrante e à casca escura de suas uvas. Devido ao seu perfil, ele é frequentemente apelidado por especialistas do mundo do vinho como “o Barolo da Grécia”, tendo grande potencial de guarda. Quando jovem, se notabiliza por altíssima acidez e taninos firmes e pungentes.
O Messenicola (Black Messenicola) é um vinho tinto seco grego produzido sob Denominação de Origem Protegida (PDO Messenicola), na região de Karditsa, na Tessália (Grécia). Seu nome decorre do fato de que, em 1455, um nobre chegou à área da Tessália e se apaixonou pela região de Karditsa. Ele trouxe consigo uma visão: a produção de vinho e seu conhecimento sobre os métodos modernos e eficientes de cultivo de uva. Este foi o Monsieur Nicolas. O que ele especificamente introduziu nesse local foi uma variedade de uva muito particular, que produziu o vinho Messenicola. Os aldeões deram a ele o nome de ‘’Messenicola’’, como uma abreviação de seu nome real (Monsieur Nicolas).
Quanto ao Retsina, assim depõe a Revista Adega, em edição de 02/11/2021, atualizada em 13/08/2024:
Muitas vezes nos perguntamos como teriam sido feitos os primeiros vinhos do mundo? Obviamente seriam brancos – pois o processo de maceração com as cascas que gera cor só seria entendido mais tarde – e provavelmente com notas oxidativas – controlar o contato da bebida com o oxigênio, seja na produção, seja no armazenamento, não era tarefa simples na época. Além disso, muitos desses primeiros vinhos talvez tivessem aromas e sabores de resina.
Por quê? Os principais recipientes, tanto para fermentar quanto para armazenar o vinho, foram as ânforas de barro, ou dolias como chamavam os romanos. Os primeiros vitivinicultores logo perceberam que o contato com o ar fazia com que a bebida estragasse rapidamente.
Como as ânforas permitiam uma grande interação do oxigênio com o vinho, era preciso criar uma forma de vedá-las. Assim, passaram a usar resina de pinheiro, de terebinto ou lentisco (dito mástique) para selar os recipientes.
Logo perceberam que o vinho ganhava aromas e sabores pronunciados de seiva e terebintina, ou aguarrás. Alguns descreveriam como piche. Isso, sem sombra de dúvida, graças ao contato do líquido com a resina. Essa técnica também dava ao vinho uma pungente adstringência, assim como tons amargos.
Por tudo isso, ele se tornou extremamente capaz de resistir ao tempo. A esse tipo de vinho, cuja origem provavelmente é grega, deu-se o sugestivo nome de retsina, uma variação do latim resinae. (Grifei)
Ou seja, trata-se mais de conhecimento, de experiência, de satisfação de curiosidade, do que de prazer. A uva usada para os Retsina é a Savatiano, muitas vezes junto com Assyrtiko e Rhoditis, além de outras variedades gregas. Atualmente se usa resina de pinheiro, que forma uma fina película de óleo sobre a superfície do líquido e depois é removida. Os Retsina atuais não possuem os aromas pungentes de terebintina, sendo mais palatáveis.
Para acompanhar os vinhos, o Chef Vianna prepara uma versão do Stifado, um ensopado com cordeiro, cebolinhas pérola e vários legumes, acompanhado de purê de batatas. Na entrada teremos o bom e conhecido Charlotte Brut, que já dispensa apresentações.
Kechris Kechribari Retsina – Amyndeon – Grécia – ABV 11,5%.
- De uvas da cepa Roditis, com fermentação controlada em tanques de aço inoxidável com adição de resina de pinheiro durante o processo.
- Coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados. No nariz, revela aromas frescos de frutas cítricas, maçã verde e ervas mediterrâneas, acompanhados por notas delicadas de resina, pinho e toques minerais. No palato é seco, leve e refrescante, com acidez vibrante, perfil limpo e final elegante e persistente, com assinatura resinosa característica.
- Acompanha bem a culinária grega, frutos do mar, peixes grelhados, saladas, pratos mediterrâneos, queijos frescos e azeites aromáticos.
Douros Wines Monopati Winemakers Choice Moschofilero 2021 – Peloponeso – Grécia – ABV 12,5%.
- De uvas 100% da cepa Moschofilero cultivada a cerca de 750 metros de altitude nas montanhas de Mantínia, no Peloponeso. Esse terroir de clima frio e solo peculiar retarda o amadurecimento das uvas, preservando uma acidez natural vibrante e potencializando aromas exuberantes de flores e frutas cítricas.
- Sem passagem por madeira, Maceração pré-fermentativa a frio (12°C) por 4 horas, fermentação em tanques de aço inoxidável a 16°C e rápida maturação sobre as borras finas (sur lie).
- Coloração amarelo-pálido esbranquiçado com reflexos brilhantes e esverdeados. Aroma fresco e perfumado, com notas de flores brancas, madressilva, além de toques cítricos como limão e toranja rosa. Em boca exibe corpo leve a médio, com uma textura delicada e acidez vibrante. Os sabores repetem as notas florais e cítricas do nariz, entregando um final longo e equilibrado.
- Ideal para acompanhar frutos do mar grelhados, sushi, sashimi, ceviches e saladas verdes frescas com queijo de cabra.
Estate Argyros Atlantis White 2022 – Santorini – Grécia – ABV 13,5%.
- 90% Assyrtiko, 5% Athiri e 5% Aidani. Açúcar Residual: 2 g/l. Acidez: 5,8 g/l. PH: 3,23. A Assyrtiko domina o corte, trazendo acidez vibrante e caráter marítimo; Athiri e Aidani complementam com toque aromático de flores brancas.
- É uma boa introdução aos brancos vulcânicos de Santorini, entregando um perfil seco, fresco, mineral, salino e extremamente gastronômico.
- Colheita manual. Fermentação em tanques de aço inox, com temperatura controlada entre 16 e 18 °C, durante quase três semanas. O vinho passou quatro meses em tanques de inox. Produção: 135.000 garrafas. Parcelas selecionadas de vinhedos de 10 a 60 anos. Rendimento: 20 hl/ha.
- Visual amarelo-palha claro, brilhante, com reflexos esverdeados. Aromas de frutas cítricas, limão, maçã verde, flores brancas, ervas mediterrâneas e delicadas notas minerais. Paladar seco, fresco, vibrante e equilibrado, com acidez evidente, mineralidade vulcânica, leve salinidade e final muito limpo. Textura leve a média, com excelente fluidez e sensação marítima. Final limpo, salino, cítrico e refrescante, com ótima vocação gastronômica. Corpo leve a médio.
- Harmonização: Pratos à base de pescados e frutos do mar, aperitivos leves.
Cavino Naoussa Xinomavro 2022 – Naoussa – Grécia – ABV 12,5%.
- Elaborado com a casta nativa Xinomavro, uma das uvas mais tradicionais do país. Estagiou em tanques de inox por 6 meses junto de suas leveduras e parte do vinho teve passagem de 3 meses por barrica de carvalho francês, apresentando coloração rubi intensa e aromas marcantes de frutas vermelhas, couro e especiarias. No paladar, revela um vinho equilibrado, com taninos envolventes e boa harmonia entre seus elementos.
- Ideal para acompanhar carnes vermelhas, cordeiro, massas com molhos intensos, embutidos, cogumelos e queijos maturados, risoto de moranga cabotiá, filé com nhoque, tábua de frios, entrecôte grelhado, pizzas com carnes, lasanha a bolonhesa, berinjela recheada e comida árabe.
Douros Wines Monopati Agiorgitiko Red 2020 – Peloponeso IGP – Grécia. ABV 13%.
- Agiorgitiko 100%. Maturação: Curto envelhecimento sobre borras finas em tanques de aço inox Corpo: Médio Tanino/Dulçor: Taninos suaves e redondos, dulçor seco Acidez: Moderada
- Análise Sensorial Visual: Violeta brilhante de intensidade média com reflexos rosados Análise Sensorial Olfativo: Aromas vivos de cereja preta, amora, ameixa, flor menex e ervas secas Análise Sensorial Paladar: Corpo médio, acidez equilibrada, taninos macios e redondos, final de média intensidade com nota marcante de semente de anis Potencial de Guarda: 5 a 8 anos
- História da Vinícola: A Douros Wines destaca a valorização das castas autóctones gregas e a expressão do terroir do Peloponeso, especialmente Nemea, região histórica da Agiorgitiko, combinando tradição local com técnicas modernas de vinificação Processo de Elaboração: Colheita em meados de setembro, fermentação alcoólica a 23°C por 6 dias, maceração em aço inox, fermentação malolática completa e estágio curto sobre borras finas para textura e equilíbrio.
- Temperatura de Serviço: 15°C a 17°C Guarda: 5 a 8 anos Decanter: 20 minutos
- Harmonização Gastronômica: Carnes grelhadas, legumes assados, pratos com frutas vermelhas, cogumelos grelhados e receitas mediterrâneas.
Messenicola Karditsa 2018 – Messenicolas (DOP) – Grécia. ABV 14,1%.
- Castas Black Messenicola 70%, Syrah e Carignan 30%.
- Corpo satisfatório, retrogosto marcante de aromas florais e frutas vermelhas/silvestres, além de taninos macios. Sua cor rubi, sedutora aos olhos, carrega as memórias de sua história milenar. Estagia por um ano em pequenas barricas de carvalho francês e evolui perfeitamente por mais 10 anos na garrafa.
- Combina harmoniosamente com carnes vermelhas assadas, carnes de caça, molhos vermelhos, queijos defumados e embutidos, além de frutas como maçã e pera.
- Temperatura de serviço: Deixe respirar por 15 minutos e sirva entre 16°C e 18°C.