Os incansáveis, persistentes e ambiciosos produtores gaúchos estão de forma gradual e constante deixando no passado os vinhos pouco atraentes que caracterizavam a produção nacional. Vinhedos antigos com plantas de baixa qualidade foram substituídos por novos, com métodos adequados de cultivo e manuseio de mudas, agora saudáveis e certificadas.

Investimentos em tecnologia permitem a obtenção de um vinho que expresse a qualidade dos frutos obtidos e uma “verdadeira” tipicidade nacional. Este novo milênio marca, sem dúvida, uma nova era na vitivinicultura brasileira.


É muito importante neste contexto o papel das Sociedades e Confrarias de Enófilos, pois como apreciadores e formadores de opinião podemos sinalizar para o consumidor e o produtor as impressões causadas pelo renovado vinho brasileiro. O Vale dos Vinhedos é agora uma região certificada, mas outras em nosso estado abrigam projetos muito interessantes.


A reunião de quinta-feira, 13 de setembro de 2007, organizada pela confrade Myriam Kapczinski, destacou  vinhos obtidos a partir de uvas produzidas em Encruzilhada do Sul. Nesta região além do cultivo de viníferas tradicionais há a aposta em interessantes cepas de cruzamentos,que unem características de duas variedades, fazendo-nos imaginar “um assemblage produzido na videira”. Como exemplos temos a Marselan (cabernet sauvignon e grenache) e  Arinarnoa (merlot e petit verdot).


Em razão da diversidade dos vinhos disponíveis optou-se pela degustação às cegas, e a pontuação valorizou o equilíbrio, ausência de defeitos e o agrado ao paladar. Os vinhos degustados foram Elos (malbec e cabernet sauvignon), Singular (tempranillo) ambos de 2005 produzidos pela Lídio Carraro; Minimus Anima (cabernet sauvignon e alicante bouschet) de Tormentas, 2005; Identidade Marselan e Identidade Arinarnoa da Casa Valduga, 2005 e Angheben Barbera , produzido pela Angheben em 2004.

Não houve exemplar considerado defeituoso, e de modo geral houve a concordância que todos são  vinhos bons e agradáveis ao paladar. Dois destes destacaram-se frente aos demais, por sua boa estrutura, corpo e aroma e persistência: Minimus Anima (frutado encantador) e Singular (notas de café). É interessante salientar que estes dois vinhos têm atualmente suas últimas garrafas disputadas por apreciadores. Nos outros foi percebida ainda acidez pronunciada e pouca persistência no sabor e aroma.